Por Luiz Antonio Morais
Quando inaugurado no início da década de oitenta pelo então prefeito Danielzinho, muitos torceram o nariz e criticaram aquele aterrão, afinal, a obra transformou a paisagem natural do Areal, segregou os ribeirinhos e pescadores que montavam casebres de palha e colocavam as traíras e outros peixes para secar ao escaldante sol da baixada durante a seca do lago.
Hoje, o Parque Dilú Melo, situado as margens do mais belo cartão postal de Viana, e que poderia ser uma opção de lazer, uma área de passeio e um tranqüilo local para as crianças vianenses brincarem, virou um “espaço frankstaien”, abandonado pelo poder público e vitima do vandalismo, sem ordem, sem iluminação, sem limpeza e sem segurança.
A cantora, instrumentista e compositora vianense Dilú Melo (1911-2000) em uma de suas últimas aparições ainda em vida
Carros tunados com paredões de som infernizam a vida dos frequentadores e causam poluicão sonora no parque
Joguinho de sinuca - um dos poucos passa-tempos do Areal
Vista do Lago de Viana, castigado pela estiagem, vendo-se o Morro do MocorocaO espaço que é utilizado para o tradicional Festival do Peixe, convive com o descaso e a falta de visão urbanística, entregue à própria sorte, diante de proprietários incessíveis e sem qualquer tipo de relação amigável que possa gerar algum tipo de reivindicação e ou consenso sobre a preservação e o uso da área. Assim como a utilização da praça Maria Aragão em São Luís, o Parque Dilú Melo também poderia abrigar e proteger o acervo, além de atrair visitantes, turistas e estudantes para conhecer e pesquisar sobre a obra da musicista vianense. Porém, estes se encontram na capital sob a guarda do multifacetado vianense, Rogéryo du Maranhão, que virou uma espécie de fiel depositário do espólio de Dilú Melo.
Construções de dois andares desfiguram o Parque Dilú Melo Sendo assim, como a Prefeitura de Viana fecha os olhos para os problemas do parque, várias edificações de dois pavimentos estão surgindo sobre as barracas, que antes eram padronizadas. Muitas viraram somente locais de moradia e, para piorar, nos fins de semana, dezenas de veículos abrem os seus portas-mala, com potentes aparelhos de som, causando uma irritante poluição que impede qualquer pessoa de conversar em paz. A Polícia Militar, vez e outra dá uma passada no local, porém nenhum proprietário dos “paredões de som” é incomodado.
O Blog ouviu um morador e dono de barraca que pediu para ter o nome preservado: “Isto aqui virou terra de ninguém. Até os donos dos bares são todos desunidos e só querem ganhar dinheiro. Acho que o problema é de política pois quem construiu o parque foi o ex-prefeito Danielzinho, aí os outros não querem preservar. Tudo de bom aqui em Viana só acontece na Avenida (Luis Couto)”, completou.
O Blog ouviu um morador e dono de barraca que pediu para ter o nome preservado: “Isto aqui virou terra de ninguém. Até os donos dos bares são todos desunidos e só querem ganhar dinheiro. Acho que o problema é de política pois quem construiu o parque foi o ex-prefeito Danielzinho, aí os outros não querem preservar. Tudo de bom aqui em Viana só acontece na Avenida (Luis Couto)”, completou.
Painel de propaganda da Prefeitura. Largando os pedaços, quase caindo
Luminárias do Parque. Vandalismo e falta de consciência com o bem público
Lixeira e asfalto. Nada se conserva
Quando foi recebida festivamente por seus conterrâneos, em setembro de 1988 e descerrou a placa que dava seu nome ao Parque Folclórico da cidade, a famosa cantora, instrumentista e compositora vianense Dilú Melo, sequer imaginaria que essa oportuna homenagem seria ignorada e mal preservada por quem mais deveria zelar pelos valores históricos e culturais da Cidade dos Lagos. Dilú Mello deve está se remexendo no seu túmulo, no Cemitério do Catumbi, no Rio de Janeiro.



2 comentários:
A cada dia que passa Viana morre, não é só com o espaço no Areal, mas com a cidade toda. Totalmente abandonada... uma tristeza. E eu não conheci Viana como antigamente, só através dos meus pais e avós. O que o dinheiro não faz... ele mata. É isso que está acontecendo com a cidade... estão matando nossa Viana.
Cara Pollyana,
O mais incrível de tudo é que a população não consegue reagir, paralisada pela precisão e o “rabo preso” diante de tantas falcatruas. Talvez, pior ainda do que a “morte” da nossa cidade, seja o sepultamento da dignidade da nossa gente, oprimida e assistida somente pelo “pão e circo”.
Abraços,
Luiz Morais
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