
Encontro tua língua ácida
dentro de mim.
Passeia como uma Naja
e busca algo que não posso te dar:
A seiva de meu ser,
já pálido, esquálido,
que enternece todo homem
essa busca escorregadia,
repetitiva,
de uma dorna medida exata.
Que faço se não sou
tão generosa?
Como te presentear nesta noite?
Amor, oh! Amor!
Tu clamas e eu me assusto
com o brado escandaloso
do desejo refreado
em meio à madrugada.
Que posso fazer?
Te acaricio a fronte tensa
e nada mais consigo.
Digo palavras
com a insípida e afiada provada mentira.
Amor, oh! Amor!
Se eu tenho outro dentro de mim!
Séfora Mandarina, São Paulo SP
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