
Agonia de Sarney é de grande valia para Lula
Todos aqueles que imaginaram que o recesso de quinze dias do Senado iria esfriar a crise erraram feio.
Na contramão dessa tese, previmos, assim como o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB/PE), que a volta seria trágica, mas de bom tamanho para Lula, que trabalha e torce para que a agonia de Sarney dure mais tempo.
Depois de seis meses de crise, o Senado voltou das pequenas férias de julho, tomado por uma mais uma batalha entre os que defendem a renúncia de José Sarney e os integrantes de sua tropa de choque, agora reforçada por Fernando Collor. Para manter o poder, os aliados de Sarney demonstraram na primeira sessão do segundo semestre que serão capazes de tudo. Eles começaram o contra ataque ameaçando Pedro Simon, tentando criar constrangimentos que maculariam a biografia do gaúcho.
A continuidade da crise por tempo indeterminado empurra a CPI da Petrobras para o ostracismo. E isso, é tudo o que Lula quer. Para Lula, quanto mais alta for à temperatura no Senado, melhor.
Lula ficou satisfeito com a reação de Fernando Collor e Renan Calheiros ao discurso de Pedro Simon. O acirramento dos ânimos no plenário do Senado é tudo o que ele quer. O que interessa ao presidente Lula é que a tropa de choque de Sarney prolongue a crise.
Não lhe importa que a história recente do país esteja sendo distorcida por Renan Calheiros, Fernando Collor e Wellington Salgado. Três peças que representam o que há de mais arcaico na política brasileira: a chantagem, o corporativismo, o populismo, o fisiologismo, o mandonismo e o patrimonialismo. Distorcendo a história, Calheiros, por exemplo, declarou que existe um antigo ressentimento de Simon com Sarney, por este ter sido escolhido vice de Tancredo em detrimento do gaúcho. Uma balela sem pé nem cabeça.
Enquanto isso, Collor, o algoz de Sarney em 1989, revivendo seus piores dias, com a respiração arfando e os olhos esbugalhados, partiu para cima de Simon com um palavreado marcado pelas mesmas expressões que usou no passado em momentos de ira e cólera.
Collor, que fora citado por Simon em discussão com Renan, voltou ao velho estilo e, exaltado, gritou:
- Suas palavras em relação a mim e a minha relação política são palavras que eu não aceito palavras que eu quero que o senhor as engula e as digira como julgar conveniente. Estou do lado dele (Calheiros) e de Sarney. Essa Casa não pode se agachar àquilo que a mídia deseja. Ela (imprensa) não conseguirá retirar o presidente Sarney desta cadeira, nem ela nem o senhor (Simon) nem quem mais esteja depauperando com o senhor parlapatão que é.
A reação de Collor traz à memória a sessão de 5 de dezembro de 1963, quando o seu pai, senador udenista Arnon de Mello, assassinou, com um tiro no peito, o senador acreano José Kairala, em plena tribuna. Mello disparou três tiros contra seu inimigo político, o senador Silvestre Péricles, a 5 metros de distância. Errou todos. O mais trágico da história é que Kairala, suplente de José Guiomard, estava em seu último dia de mandato e devolveria o cargo naquele dia. Mesmo com o flagrante, nada aconteceu a Arnon de Mello.
Pelo que se viu, na segunda (3), o clima dos próximos dias no Senado está sujeito a chuvas torrenciais com trovoadas e relâmpagos.
A tropa de choque de Sarney, agora reforçada com a adesão explícita de Fernando Collor promete atacar os pregadores da renúncia de José Sarney com todo tipo de artefatos, inclusive a mentira.
Esses senadores criaram a tese de que o que está na berlinda é a disputa de 2010 contando com o apoio do Palácio do Planalto. Um sinal de que habitam em um mundinho só deles, similar ao personagem Tasso, da atual novela das oito da TV Globo, “Caminho das Índias”. A tropa de choque de Sarney se assemelha a definição de esquizofrenia do doutor Castanha, outro personagem da novela. Dessa forma, Lula une o útil ao agradável, pois a agonia de Sarney coloca em segundo plano a CPI da Petrobras, que começa seus trabalhos na quinta (6) sob o total controle de seu presidente, o suplente João Pedro (PT/AM), que pretende abrir os depoimentos com as mornas oitivas do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli e do presidente da ANP, Haroldo Lima.
Tudo bem leve e ao agrado de Lula.
Do site do Chico Bruno
Todos aqueles que imaginaram que o recesso de quinze dias do Senado iria esfriar a crise erraram feio.
Na contramão dessa tese, previmos, assim como o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB/PE), que a volta seria trágica, mas de bom tamanho para Lula, que trabalha e torce para que a agonia de Sarney dure mais tempo.
Depois de seis meses de crise, o Senado voltou das pequenas férias de julho, tomado por uma mais uma batalha entre os que defendem a renúncia de José Sarney e os integrantes de sua tropa de choque, agora reforçada por Fernando Collor. Para manter o poder, os aliados de Sarney demonstraram na primeira sessão do segundo semestre que serão capazes de tudo. Eles começaram o contra ataque ameaçando Pedro Simon, tentando criar constrangimentos que maculariam a biografia do gaúcho.
A continuidade da crise por tempo indeterminado empurra a CPI da Petrobras para o ostracismo. E isso, é tudo o que Lula quer. Para Lula, quanto mais alta for à temperatura no Senado, melhor.
Lula ficou satisfeito com a reação de Fernando Collor e Renan Calheiros ao discurso de Pedro Simon. O acirramento dos ânimos no plenário do Senado é tudo o que ele quer. O que interessa ao presidente Lula é que a tropa de choque de Sarney prolongue a crise.
Não lhe importa que a história recente do país esteja sendo distorcida por Renan Calheiros, Fernando Collor e Wellington Salgado. Três peças que representam o que há de mais arcaico na política brasileira: a chantagem, o corporativismo, o populismo, o fisiologismo, o mandonismo e o patrimonialismo. Distorcendo a história, Calheiros, por exemplo, declarou que existe um antigo ressentimento de Simon com Sarney, por este ter sido escolhido vice de Tancredo em detrimento do gaúcho. Uma balela sem pé nem cabeça.
Enquanto isso, Collor, o algoz de Sarney em 1989, revivendo seus piores dias, com a respiração arfando e os olhos esbugalhados, partiu para cima de Simon com um palavreado marcado pelas mesmas expressões que usou no passado em momentos de ira e cólera.
Collor, que fora citado por Simon em discussão com Renan, voltou ao velho estilo e, exaltado, gritou:
- Suas palavras em relação a mim e a minha relação política são palavras que eu não aceito palavras que eu quero que o senhor as engula e as digira como julgar conveniente. Estou do lado dele (Calheiros) e de Sarney. Essa Casa não pode se agachar àquilo que a mídia deseja. Ela (imprensa) não conseguirá retirar o presidente Sarney desta cadeira, nem ela nem o senhor (Simon) nem quem mais esteja depauperando com o senhor parlapatão que é.
A reação de Collor traz à memória a sessão de 5 de dezembro de 1963, quando o seu pai, senador udenista Arnon de Mello, assassinou, com um tiro no peito, o senador acreano José Kairala, em plena tribuna. Mello disparou três tiros contra seu inimigo político, o senador Silvestre Péricles, a 5 metros de distância. Errou todos. O mais trágico da história é que Kairala, suplente de José Guiomard, estava em seu último dia de mandato e devolveria o cargo naquele dia. Mesmo com o flagrante, nada aconteceu a Arnon de Mello.
Pelo que se viu, na segunda (3), o clima dos próximos dias no Senado está sujeito a chuvas torrenciais com trovoadas e relâmpagos.
A tropa de choque de Sarney, agora reforçada com a adesão explícita de Fernando Collor promete atacar os pregadores da renúncia de José Sarney com todo tipo de artefatos, inclusive a mentira.
Esses senadores criaram a tese de que o que está na berlinda é a disputa de 2010 contando com o apoio do Palácio do Planalto. Um sinal de que habitam em um mundinho só deles, similar ao personagem Tasso, da atual novela das oito da TV Globo, “Caminho das Índias”. A tropa de choque de Sarney se assemelha a definição de esquizofrenia do doutor Castanha, outro personagem da novela. Dessa forma, Lula une o útil ao agradável, pois a agonia de Sarney coloca em segundo plano a CPI da Petrobras, que começa seus trabalhos na quinta (6) sob o total controle de seu presidente, o suplente João Pedro (PT/AM), que pretende abrir os depoimentos com as mornas oitivas do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli e do presidente da ANP, Haroldo Lima.
Tudo bem leve e ao agrado de Lula.
Do site do Chico Bruno
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