quarta-feira, 16 de setembro de 2009

VIANA NA CPI DA PEDOFILIA (III)

Professor João Batista saiu preso da CPI/Fotos: De Jesus

Professor que estuprou crianças em Viana é preso

O professor de matemática João Batista Alves Silva, 60 anos, foi preso hoje (terça-feira, 15) a pedido do presidente e vice-presidente da CPI da Pedofilia do Congresso Nacional, senadores Magno Malta (PR-ES) e José Nery (PSL-PA). João Batista é acusado de estuprar meninas de 14 anos e 12 anos. A prisão aconteceu às 18h30, depois que Malta leu o mandado de prisão preventiva, decretada pelo juiz Reginaldo de Jesus Cordeiro Filho, da Comarca de Viana. Em seguida, João Batista foi conduzido ao Plantão Central da Beira-Mar.

A mãe das meninas, Maria Antonia Mendes, confessou ter vivido em Viana durante oito anos com o professor. Neste período, as duas tinham apenas cinco e três anos de idade. Maria Mendes, que chorou durante o depoimento, contou que só soube do estupro das filhas em 18 de julho, por meio de uma pessoa que seguiu o professor até o motel Savana na cidade. As vítimas eram levadas na moto do acusado.

A mesma versão foi confirmada pelas meninas que, a pedido da presidência da CPI, depuserem encapuzadas. Ambas garantem terem sido estupradas depois que o professor as presenteou com dinheiro, celular e até absorventes. Segundo as garotas, o assédio de João Batista sempre acontecia depois de convites, com a aceitação da mãe, para ir à pizzaria. “Queremos apenas que seja feita justiça e ele seja preso para pagar pelo que fez conosco”, afirmaram.

Ciúme e armação

Em seu depoimento o professor alegou que estava sendo vítima de uma grande armação, supostamente motivada por ciúmes do atual marido de Maria Mendes e pelo prefeito de Viana, Rilva Luís (PV). Ele confirmou o que disseram as meninas: depois de se separar da mãe delas, passou a presenteá-las com lanches, sandálias, roupas, dinheiro, absorventes e passeios de moto.

João Batista disse ainda que participaram da suposta armação para incriminá-lo o conselheiro tutelar Dean Frankcergeley Araújo Costa, e o namorado da menina mais velha, Anderson Nunes Alves. “Nunca fiz isso. Estou sendo vítima de armação, denunciada inclusive pelos avós. Luto pelo povo pobre de Viana em meu programa de rádio. Entrego a Deus o que estou vivendo”, disse ele.

Sigilo telefônico

A situação do acusado se complicou ainda mais quando ele, interrogado por Magno Malta, entrou em várias contradições. O senador estava de posse do sigilo telefônico do professor, quebrado a pedido da CPI. No depoimento, a mãe confessou ter ligado ao ex-amante para saber onde estava a filha, que tinha saído com ele para comprar pizza. João Batista contou que a vítima estava no parque, brincando em uma roda gigante.

Mas, em um trecho do sigilo telefônico, a própria torre de telefonia celular localizou que o telefonema foi recebido pelo professor de dentro do motel Savana, onde ele costumava levar as meninas para estuprá-las. O sigilo telefônico revelou também todas as ligações dadas e recebidas pelo acusado desde o mês de junho, quando depois de conviver oito anos com as enteadas, resolveu iludi-las com presentes. Os casos de abuso sexual começaram após a separação do casal, quando ele já possuía uma moto.

Conjunção carnal

O conselheiro tutelar Dean Frankcergeley Araújo disse que antes de denunciar João Batista à Polícia, Ministério Público e ao juiz de Viana, mandou realizar exames de conjunção carnal nas menores e constatou que ambas haviam sido estupradas. O conselheiro lamentou que o promotor e o juiz de Viana, Raimundo Benedito e Mário Márcio, tenham ficado omissos ao caso. “Tudo ficou provado. Infelizmente, o juiz disse que o processo corria sob segredo de justiça e tivemos que encaminhá-lo à DPCA, em São Luís”, afirmou.

(Por Décio Sá/Imirante -Com informações da Agência Assembleia).

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