A notícia de que sete jornalistas da Folha foram feridos
quando faziam a cobertura dos protestos contra o aumento das tarifas de
transportes em São Paulo evidencia os perigos constantes de uma profissão quase
sempre não compreendida em suas relações com o poder. Dois repórteres foram
atingidos no rosto; Fábio Braga e Giuliane Vallana, mesmo estando identificados
como profissionais de imprensa.
O que acontece em São Paulo já pode ser definido como um levante popular e embora seja compreensível a revolta de quem vai pagar mais de três reais por uma passagem num país em que o salário mínimo é R$ 600, o fato é que o impasse entre a Prefeitura e os manifestantes se solidificou a partir de atos de violência e vandalismo de parte a parte. Pior é que quase sempre essas escaramuças têm origem em campanhas políticas. Na busca do voto e precisando de recursos, os candidatos fazem qualquer acordo na Terra do Sol, e um dos mais comuns é negociar reajustes de tarifas com empresários de transportes coletivos em troca de financiamento de campanha.
O modelo político brasileiro, esse modelo de captação de recursos eleitorais, é ultrapassado, perigoso, alimenta a corrupção e, pelo menos em tese, torna autoridades escolhidas pelo voto reféns de setores do empresariado, se não de coisa pior, como os agiotas do Maranhão, por exemplo.
O abuso de poder econômico continua vencendo eleições no país, e também por denunciar essas macacadas financeiras jornalistas são perseguidos, ameaçados e demitidos, quando não põem em risco a própria vida. A profissão, em síntese, é um perigo sempre que o verdadeiro jornalismo é praticado. Matérias investigativas, via de regra, acabam em morte de jornalistas, e são fartos os exemplos nesse que é o país em que mais jornalistas são assassinados por conta do exercício da profissão.
Os profissionais de imprensa têm enfrentado também uma espécie de coação judicial com juízes destrambelhados prolatando decisões favoráveis a todo e qualquer um que os processe subjetivamente por calúnia e difamação. Essas decisões obrigam os profissionais a pagarem indenizações milionárias, inclusive a pessoas destacadas na crônica diária da corrupção nacional.
Nesse caso em particular acreditamos que é preciso rever a política de transportes do país, é preciso rever a política de financiamento público de campanhas. Mas já é hora também de repensar os riscos da atividade jornalística, inclusive a partir da punição severa de quem processa, ofende, espanca e mata profissionais de imprensa, de uma arguição mais completa da má vontade de parte considerável das autoridades constituídas, inclusive da polícia, para com a liberdade de imprensa no Brasil em pleno século XXI.
Editorial do Jornal Pequeno, 15/06/2013
O que acontece em São Paulo já pode ser definido como um levante popular e embora seja compreensível a revolta de quem vai pagar mais de três reais por uma passagem num país em que o salário mínimo é R$ 600, o fato é que o impasse entre a Prefeitura e os manifestantes se solidificou a partir de atos de violência e vandalismo de parte a parte. Pior é que quase sempre essas escaramuças têm origem em campanhas políticas. Na busca do voto e precisando de recursos, os candidatos fazem qualquer acordo na Terra do Sol, e um dos mais comuns é negociar reajustes de tarifas com empresários de transportes coletivos em troca de financiamento de campanha.
O modelo político brasileiro, esse modelo de captação de recursos eleitorais, é ultrapassado, perigoso, alimenta a corrupção e, pelo menos em tese, torna autoridades escolhidas pelo voto reféns de setores do empresariado, se não de coisa pior, como os agiotas do Maranhão, por exemplo.
O abuso de poder econômico continua vencendo eleições no país, e também por denunciar essas macacadas financeiras jornalistas são perseguidos, ameaçados e demitidos, quando não põem em risco a própria vida. A profissão, em síntese, é um perigo sempre que o verdadeiro jornalismo é praticado. Matérias investigativas, via de regra, acabam em morte de jornalistas, e são fartos os exemplos nesse que é o país em que mais jornalistas são assassinados por conta do exercício da profissão.
Os profissionais de imprensa têm enfrentado também uma espécie de coação judicial com juízes destrambelhados prolatando decisões favoráveis a todo e qualquer um que os processe subjetivamente por calúnia e difamação. Essas decisões obrigam os profissionais a pagarem indenizações milionárias, inclusive a pessoas destacadas na crônica diária da corrupção nacional.
Nesse caso em particular acreditamos que é preciso rever a política de transportes do país, é preciso rever a política de financiamento público de campanhas. Mas já é hora também de repensar os riscos da atividade jornalística, inclusive a partir da punição severa de quem processa, ofende, espanca e mata profissionais de imprensa, de uma arguição mais completa da má vontade de parte considerável das autoridades constituídas, inclusive da polícia, para com a liberdade de imprensa no Brasil em pleno século XXI.
Editorial do Jornal Pequeno, 15/06/2013
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